GAZETA: Reforma deve ser gradual, diz Gesner de Oliveira
Entrevista do Economista Sr. Gesner de Oliveira
GAZETA: Reforma deve ser gradual, diz
Gesner de Oliveira
SÃO PAULO, 11 de outubro de 2006 - A
mobilização da classe empresarial é fundamental para o desenvolvimento do setor
de serviços. A afirmação é do economista Gesner de Oliveira, da consultoria
Tendências, que diz acreditar que o governo deve agir gradualmente no que diz
respeito à reforma tributária.
Integra do texto
SÃO PAULO, 11 de outubro de 2006 - A mobilização da classe
empresarial é fundamental para o desenvolvimento do setor de serviços. A
afirmação é do economista Gesner de Oliveira, da consultoria Tendências, que
diz acreditar que o governo deve agir gradualmente no que diz respeito à
reforma tributária. "Não podemos querer mudanças radicais", diz o
consultor, que defende um limite para a carga tributária e de gastos.
"Temos que pensar em mais trabalho e menos desperdício", disse
Gesner, que participou na quinta-feira do seminário "Serviços:
menos impostos, mais crescimento, mais emprego - a desoneração da folha de
pagamento". Ele considera ainda que a desoneração da folha de
pagamento é um item muito importante e que deve ser mais trabalhado. "O
setor de serviços depende de mão-de-obra qualificada, mas algumas outras
melhorias devem ser feitas em paralelo", afirma. Ele considera ainda que
esses regimes de cooperativa e pessoa jurídica, adotados atualmente por muitas
prestadoras de serviços, são uma resposta natural a toda a burocracia e
tributações que incidem sobre a folha de pagamento. "Mas é uma resposta
cara. O governo perde arrecadação para que o empresário tente se manter no
mercado." O sistema tributário, ainda de acordo com ele, é pouco racional.
"As pessoas fogem dos impostos e cria-se um círculo vicioso. Quanto mais
tributo e burocracia, mais as pessoas não querem pagar os impostos", diz o
consultor lembrando que, dessa forma, há mais sonegação e informalidade.
"Quanto mais informalidade, mais precisa-se criar mecanismos para
driblá-la. E a burocracia nunca melhora", comenta Gesner de Oliveira. O
consultor responsabiliza ainda a má administração pela alta carga tributária
brasileira. "Há muito desperdício e pouco serviço prestado. Os órgãos
precisam ser mais eficientes e as propostas apontam na direção correta: a
simplificação de processos com a ampliação da base de arrecadação." Para
ele, a única forma de reduzir a carga tributária, que hoje chega a quase 40% no
PIB, é só cortando radicalmente os gastos. "É um plano que deve ser
pensado a longo prazo, talvez durante uns dois ou três governos",
finaliza. (Fabiana Faria - Especial para a Gazeta Mercantil - Gazeta
Mercantil)